terça-feira, 19 de outubro de 2010

A importância da fase de terminação no sistema de produção de suínos. - por Werner Meincke

Fica evidente a necessidade dos produtores estarem cada vez mais focados nos fatores que determinam a eficiência geral de uma unidade de terminação.

De uma maneira geral podemos definir as principais aspirações da cadeia produtiva da suinocultura da seguinte forma:

a) Produtor:

Possuir um sistema padronizado de tipificação de carcaças com valorização da qualidade de carne. Essa reivindicação está diretamente ligada aos grandes investimentos que os produtores vêm realizando na área de melhoramento genético de seus plantéis e que nem sempre são devidamente valorizados, sem considerar as freqüentes mudanças que ocorrem na política de remuneração, tornando muito confusos na ótica dos produtores, os critérios atualmente utilizados para tipificar e premiar as carcaças.

b) Indústria:

Elevar os pesos de abate e reduzir as variações que atualmente ocorrem nos pesos das carcaças. Com isso ficaria extremamente facilitada a produção de cortes padronizados, bem como a determinação de seus rendimentos com agregação de valor.

c) Consumidor:

A tendência do segmento de consumo é de estar cada vez mais focado na questão da Segurança Alimentar.

Se analisarmos como sendo efetivamente essas as principais aspirações da cadeia produtiva, vamos verificar que a fase de terminação passa assumir uma importância crescente e muito mais significativa do que normalmente lhe é atribuída. A impressão geral que se tem, é que quando os animais atingem um peso entre 22 a 25 kg, tudo está resolvido bastando a partir daí, apenas provê-los com água e ração de boa qualidade, no entanto sabemos que mais de 60% do custo de produção ocorre após esse período. Em outras palavras podemos dizer que os investimentos visando maximizar a eficiência durante os períodos de crescimento e terminação são fundamentais para viabilização da atividade. Para comprovar e ratificar essas afirmativas, basta considerar a importância dos eventos que ocorrem durante essa fase do sistema de produção, quais sejam:

a) Trata-se do período de maior consumo de ração.
b) É a fase onde ocorre a maior deposição de gordura nas carcaças dos animais.
c) É a fase onde as mortes representam o maior prejuízo.
d) É a fase onde as enfermidades se manifestam com maior intensidade.
e) É a fase onde se define a bonificação de carcaças.
f) É a fase onde deve ocorrer a maior vigilância em relação ao controle da Segurança Alimentar.
g) É a fase onde apenas o ultimo mês de terminação representa 16% do tempo de vida e 29% do consumo de ração, considerando-se um suíno de 120 kg de peso com 170 dias de idade.

Por tudo isso, fica evidente a necessidade dos produtores estarem cada vez mais focados nos fatores que determinam a eficiência geral de uma unidade de terminação e que podem ser resumidos nos seguintes:

1) Consumo de ração
2) Conversão Alimentar
3) Taxa de crescimento
4) Mortalidade

1) Consumo de ração:

Todas as unidades de terminação, necessitam de um bom método para poder mensurar o consumo de ração. O ideal é a pesagem de toda ração que é fornecida no setor, com identificação imediata de quedas de consumo, que na maioria das vezes revelam falhas de manejo. Os consumos podem ser mensurados por volume ou por peso, sendo este o método mais preciso. O consumo inclui a ingestão propriamente dita e o desperdício em torno dos comedouros. Muitas vezes o desperdício é a principal causa dos problemas de conversão alimentar e pode ser corrigido por meio de ajustes nos comedouros.

Fica evidente a necessidade dos produtores estarem cada vez mais focados nos fatores que determinam a eficiência geral de uma unidade de terminação.

2) Conversão Alimentar:

Provavelmente o parâmetro mais importante de avaliação de desempenho em termos econômicos na fase de crescimento e terminação, é a conversão alimentar. Uma vez que o produtor tenha controles efetivos e dados precisos de consumos, a conversão alimentar pode ser facilmente determinada, sendo necessário apenas conhecer os pesos de entrada e saída dos animais.
O que pode ser considerado um bom resultado de conversão alimentar?
Com a tendência de elevar o peso de abate dos animais, podemos considerar uma conversão alimentar competitiva quando os animais dos 22 aos 110kg de peso, atingem uma conversão alimentar inferior a 2.6.

Principais fatores que influenciam negativamente a conversão alimentar:

a) Desperdício de ração:
Ajustes de comedouros podem reduzir a conversão alimentar de 0.1 a 0.2 representando de R$ 10 a 12 por suíno terminado de 120kg.

b) Granulometria:
A granulometria ideal é de 600 a 800 mícron (peneira de 2.5 a 3.0 mm). Para cada 100 mícron de redução no tamanho da partícula, podemos esperar uma melhora de 1,2% na conversão alimentar.

c) Qualidade das matérias primas:
Devemos considerar muito especialmente as diferentes toxinas produzidas por fungos e que atingem e comprometem a qualidade do milho, considerado o insumo básico das dietas dos suínos. As toxinas produzem uma imunodepressão nos animais com interferência muita negativa sobre as taxas de crescimento.

d) Doenças respiratórias:
As doenças respiratórias possuem um forte impacto sobre a taxa de crescimento (-17% no GMD e -14% na Conversão Alimentar.) logo o seu monitoramento com programas adequados de vacinação e de práticas de manejo “all in all out” são de fundamental importância.

e) Rações diferenciadas por sexo:
Sabe-se que os castrados consomem mais ração e por isso possuem um ganho de peso diário (GMD) superior às fêmeas, piorando por conseqüência a qualidade da carcaça pela maior deposição de gordura. Já as fêmeas necessitam dietas mais concentradas com aporte maior de lisina, e normalmente convertem melhor os alimentos apresentando carcaças de melhor qualidade. Conclui-se, portanto que a partir do momento em que diferenciarmos as dietas de acordo com o sexo, estaremos racionalizando os custos e otimizando o desempenho dos animais.

3) Taxa de crescimento:
A taxa de crescimento que normalmente é mensurada pelo GMD, constitui-se em importante fator de desempenho. A compilação de registros precisos permite a elaboração de curvas de crescimento de acordo com a categoria dos animais que estão em avaliação, bem como de sua origem genética. Uma vez estabelecidas às curvas de crescimento, as mesmas passam a servir de balizadores para mensuração da taxa de crescimento bem como para adoção de estratégias nutricionais por fases do ciclo de produção.

4) Mortalidade:

A mortalidade é uma das formas de monitorar o estado sanitário  do rebanho. Em unidades tecnificadas de produção intensiva, a mortalidade deve ser inferior a 2%. Mesmo que a mortalidade seja relativamente baixa, várias doenças podem afetar negativamente o desempenho dos animais, havendo por isso necessidade de monitorar o estado sanitário dos animais em todas as fases de produção, especialmente na terminação. Procedimentos rápidos e precisos de diagnósticos, bem como exames “post-mortem” e durante os abates, devem fazer parte do programa de monitoramento sanitário dos suínos.

* Este artigo é assinado pelo diretor técnico da Genetiporc do Brasil, Dr. Werner Meincke
Fonte: Genetiporc
Publicado por suino.com

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